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Ponha um pouco de delicadeza

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matheusdesimone:

"Ocean on my mind" - 2012. Oil on wooden panel, Matheus de Simone.

matheusdesimone:

"Ocean on my mind" - 2012. Oil on wooden panel, Matheus de Simone.

O emplasto

"Com efeito, um dia de manhã, estando a passear na chácara, pendurou-se-me uma idéa no trapézio que eu tinha no cérebro. Uma vez pendurada, entrou a bracejar, a pernear, a fazer as mais arrojadas cabriolas de volatim, que é possível crer. Eu deixei-me estar a contemplá-la. Súbito, deu um grande salto, estendeu os braços e as pernas, até tomar a forma de um X: decifra-me ou devoro-te.

Essa idéa era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplasto anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade. Na petição de privilégio que então redigi, chamei a atenção do governo para esse resultado, verdadeiramente cristão. Todavia, não neguei aos amigos as vantagens pecuniárias que deviam resultar da distribuição de um produto de tamanhos e tão profundos efeitos. Agora, porém, que estou cá do outro lado da vida, posso confessar tudo: o que me influiu principalmente foi o gosto de ver impressas nos jornais, mostradores, folhetos, esquinas, e enfim nas caixinhas do remédio, estas três palavras: Emplasto Brás Cubas. Para que negá-lo? Eu tinha a paixão do arruído, do cartaz, do foguete de lágrimas. Talvez os modestos me arguam esse defeito; fio, porém, que esse talento me hão de reconhecer os hábeis. Assim, a minha idéa trazia duas faces, como as medalhas, uma virada para o público, outra para mim. De um lado, filantropia e lucro; de outro lado, sede de nomeada. Digamos: — amor da glória.

Um tio meu, cônego de prebenda inteira, costumava dizer que o amor da glória temporal era a perdição das almas, que só devem cobiçar a glória eterna. Ao que retorquia outro tio, oficial de um dos antigos terços de infantaria, que o amor da glória era a cousa mais verdadeiramente humana que há no homem, e, conseguintemente, a sua mais genuína feição.

Decida o leitor entre o militar e o cônego; eu volto ao emplasto.”

(Machado de Assis - Memórias Póstumas de Brás Cubas)

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A Vida Vivida

Quem sou eu senão um grande sonho obscuro em face do Sonho
Senão uma grande angústia obscura em face da Angústia
Quem sou eu senão a imponderável árvore dentro da noite imóvel
E cujas presas remontam ao mais triste fundo da terra?

De que venho senão da eterna caminhada de uma sombra
Que se destrói à presença das fortes claridades
Mas em cujo rastro indelével repousa a face do mistério
E cuja forma é prodigiosa treva informe?

Que destino é o meu senão o de assistir ao meu Destino
Rio que sou em busca do mar que me apavora
Alma que sou clamando o desfalecimento
Carne que sou no âmago inútil da prece?

O que é a mulher em mim senão o Túmulo
O branco marco da minha rota peregrina
Aquela em cujos braços vou caminhando para a morte
Mas em cujos braços somente tenho vida?

O que é o meu amor, ai de mim! senão a luz impossível
Senão a estrela parada num oceano de melancolia
O que me diz ele senão que é vã toda a palavra
Que não repousa no seio trágico do abismo?

O que é o meu Amor? senão o meu desejo iluminado
O meu infinito desejo de ser o que sou acima de mim mesmo
O meu eterno partir da minha vontade enorme de ficar
Peregrino, peregrino de um instante, peregrino de todos os instantes?

A quem respondo senão a ecos, a soluços, a lamentos
De vozes que morrem no fundo do meu prazer ou do meu tédio
A quem falo senão a multidões de símbolos errantes
Cuja tragédia efêmera nenhum espírito imagina?

Qual é o meu ideal senão fazer do céu poderoso a Língua
Da nuvem a Palavra imortal cheia de segredo
E do fundo do inferno delirantemente proclamá-los
Em Poesia que se derrame como sol ou como chuva?

O que é o meu ideal senão o Supremo Impossível
Aquele que é, só ele, o meu cuidado e o meu anelo
O que é ele em mim senão o meu desejo de encontrá-lo
E o encontrando, o meu medo de não o reconhecer?

O que sou eu senão ele, o Deus em sofrimento
O temor imperceptível na voz portentosa do vento
O bater invisível de um coração no descampado…
O que sou eu senão Eu Mesmo em face de mim

- Vinícius de Moraes

Sequência

Entender a Paz, a cor, experimentar a Alegria, oscilar em busca do equilíbrio, estampar o sorriso, estabelecer A Justiça, no meio da rotina, os todos os átomos e as pessoas, a natureza e a vida, verdade, esperança, a paixão e a Eternidade, o volume e a profundidade. Perceber o Criador, esquecer a dor e descansar.

Não, senhor

Nessa maratona chamada vida, eu só quero perder essa tal corrida, porque prefiro perder tudo a me parecer com esse mundo. Para todos pode ser normal, mas pra mim é um absurdo. No momento estou vivendo pelo Amor, porque é Ele que move tudo. Aliás, nesse Amor vivo, me movo e existo. Não quero incomodar, não quero obrigar, apenas me dê a oportunidade expressar. Expressão não precisa ter a ver com razão, nem com emoção. Só tem a ver com o que sou e nada disso precisa, necessariamente, fazer sentido. Não sou poeta romântica, moderna ou falo erudito, mas é que a resposta fica mais bonita assim, rimada e simples.

A

Podia possuir toda influência, todo poder, todo dinheiro e um cão guia, mas sem o Amor nada seria.
Podia falar inglês, latim e alemão, mas sem o Amor não sairia nenhum som.
Podia ser pirata, imperador e rainha, mas sem o Amor nada seria.
Podia ser mágico, encantador ou animador, mas na tortura pereceria.
Podia adivinhar, ver o ontem e o amanhã, ser o Batman ou Dartanham, mas sem o Amor de nada isso valeria.
Podia saber ciência, matemática e filosofia, mas sem o Amor nem aqui eu existiria.
Podia mover montanha, nuvem e onda, mas sem o Amor nada disso conta.
Podia fazer ação social, parecer legal, mas sem o Amor, não me leve a mal, nada eu EU seria. Esse amor, ah Ele me arrebatou, e hoje o que sou, senão um reflexo desse amor? Se entendo Aquele amor, entendo o meu amor. Entendo que Ele primeiro me amou, me entendo e entendo o outro. E até suporto, mas só em amor.
E já dizia aquele grande sofredor “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.”